Ref#28 TURISMO: L’Obéissance est morte

O blogue L’Obéissance est morte junta alguns pensadores, nomeadamente artistas e historiadores, a refletir sobre os mais diversos assuntos da sociedade atual e nomeadamente a arte. O seu mote é: ” A luta é contínua e continua, mas nós queremos o fim: chamemos-lhe comunismo ou emancipação TOTAL. Sabemos que a emancipação é legítima mas ilegal, tal como o capital-parlamentarismo é legal mas ilegítimo. A resistência ao fascismo económico não será nem pacífica nem violenta: será o que o MOMENTO decidir! Esperamos muito dos leitores, porque alguém tem que estar deste lado. Somos mais.”

Desse blogue chegam-nos algumas considerações sobre o turismo como um agente massificador e destrutor da identidade das cidades.

Por PDuarte: A falsificação do real

“Subproduto da circulação das mercadorias, a circulação humana considerada como um consumo, o turis- mo, reduz-se fundamentalmente à distracção de ir ver o que se tornou banal” (Guy Debord)

Viajar por outros mundos é uma coisa séria. Sairmos por um tempo do nosso mundo para mergulharmos na rotina de outro mundo, guiados exclusivamente por quem o habita, é algo de extraordinário e único. Quem já o experimentou sabe que marca profundamente, como poucas experiências na vida: quando regressamos ao nosso mundo, vimos transformados; vimos diferentes, enriquecidos de novos saberes e perspectivas para transformar o quotidiano.

Mas essa imersão radical noutros mundos está em vias de extinção. Porque o turismo se tornou hegemónico na mediação das viagens dos consumidores contemporâneos.

O turismo é hoje a indústria que promove a instrumentalização do território com vista à criação de materialidades consumíveis. O território é assim adulterado pelos operadores turísticos para das suas paisagens, arquitecturas, lugares e monumentos se fabricarem imagens apelativas e facilmente vendáveis. Sector estratégico da vastíssima indústria de entretenimento global, o turismo fabrica mentirosos mas lucrativos supermercados de imagens, sem qualquer ligação aos verdadeiros usos e costumes das populações a que supostamente essas imagens fariam referência.

(…)

Enquanto promotor da mercantilização do território, com tudo o que este inclui, o turismo cria versões mercantilizáveis dos mundos em que opera. Versões que, para atraírem consumidores, falsificam os mundos que supostamente representam. Os pseudomundos criados pelo turismo são mundos que simplesmente não existem, mas cuja representação se converteu num dos mais apetecíveis negócios do nosso tempo.

O autêntico, que num qualquer pacote ou guia turístico se vende ao consumidor, é uma das ficções que nos tempos que correm está mais em voga no universo turístico. Na sua acumulação de experiências supostamente autênticas, os peregrinos dos roteiros Lonely Planet, por exemplo, não chegam a aprofundar nenhuma dessas experiências coleccionadas, pelo que a suposta autenticidade consumida é apenas uma representação esvaziada daquilo que poderia efectivamente ser autêntico.

Por conseguinte, quando sai do seu mundo, o turista nunca chega a entrar num outro mundo; o que lhe é apresentado é sempre um pseudomundo, dentro do qual ninguém tem histórias pessoais, vinculadas a biografias verdadeiras, para contar. E, quando por casualidade aparece esse alguém, disponível para contar histórias que falam da realidade dos lugares, é o turista quem se vê forçado a abortar o convívio que poderia prolongar-se, dada a sua pressa crónica para prosseguir um qualquer roteiro, que lhe permita acumular experiências consumíveis; e, refira-se também, o seu interesse (com a excepção de algum turismo alternativo emergente) tão pouco é conhecer lugares da perspectiva de quem os criou.

Mas dizia eu que o turista nunca chega a entrar senão num pseudomundo exclusivamente fabricado para ser consumido, no interior do qual ninguém possui histórias reais para partilhar, porque o interior desse mundo falsificado não é habitado por um único ser que nele construa a sua vida: empregados de restaurantes e de lojas de souvenirs, recepcionistas, motoristas, vendedores, cozinheiros, falsos artífices, seguranças privados, polícias, guias profissionais apenas desempenham a sua função profissional para viabilizar o consumo turístico do território. Mas, terminado o seu turno, cada um destes assalariados regressará ao seu lar (é aqui que estão os mundos verdadeiros onde o turista jamais entra porque neles não há espectáculos fabricados para serem consumidos; se entrasse por via da amizade, ele não seria um turista que é por definição um consumidor), situados à margem do pseudomundo turístico que irriga a economia global, onde os bigplayers nunca são os pequenos peões da economia regional, mas uma pequena rede de empresas gigantes com negócios à escala planetária.

Ref#27 EXPRESSO: Portugal, a primeira nação multicultural

“No final do século XV, os marinheiros e aventureiros portugueses deram início à maior expansão marítima jamais realizada à face da Terra, abrindo pela primeira vez os canais de comunicação entre os diferentes povos e culturas.

(…)

Os portugueses, na sua ânsia de descoberta de novas terras e pela cobiça do ouro, marfim, pedras preciosas e especiarias, acabariam por ligar todos os continentes pela via oceânica, das ilhas atlânticas à Índia, China e Japão, passando pelas costas de África e pelo Brasil. Em todos os lugares criaram feitorias, praças fortes, vilas e cidades, constituindo aquilo a que o jornalista norte-americano Holland Cutter (“The New York Times”) comparou “a uma versão da Internet inventada há 500 anos por um punhado de marinheiros com nomes como Pedro, Vasco e Bartolomeu. A tecnologia era primária, as ligações eram instáveis e o tempo de resposta era glacial (uma mensagem nesta rede poderia levar um ano a chegar)”.”

Artigo Completo em: http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_economia/blogue_vida_na_terra/portugal-a-primeira-nacao-multicultural=f527975

Ref#26 PORTUGAL: MOSAICO DE CULTURAS

“No último século, os caminhos tornaram-se intermináveis; os horizontes alargaram-se; as janelas abriram-se para o mundo; os espíritos libertaram-se; os diversos povos e culturas deixaram de subsistir à sombra de um regionalismo cultural e todos nós sentimos que a Terra não é grande e temos a consciência de que somos todos conterrâneos e de que pertencemos à mesma aldeia global. Aliás, têm existido um esforço ao nível da CE para o aumento da prevalência da população imigrante nos países, visto esta ser uma mais- valia socioeconómica, o denominado melting pot. Assim, hoje, vivemos num país multicultural; Portugal, responsável pelas conexões marítimas no mundo, foi e é um país de emigrantes e imigrantes: dum ponto de vista demográfico, nas últimas duas décadas, a população estrangeira em Portugal cresceu cerca de 70%, passando de 106.664 para 394.496 imigrantes, o que representa 3,7% da população residente.

(Desta forma, a construção da democracia e da cidadania em Portugal é indissociável da presença de quase 400.000 estrangeiros. A necessidade de produção de um corpo de saberes e de instrumentos que contribuam de forma útil para a estabilização de lugares de coexistência multicultural faz-se sentir, com progressiva urgência, em vários setores, nomeadamente o da saúde.)

 

De acordo com o INE (Instituto Nacional de Estatística), Lisboa é a região onde se encontram mais de metade dos imigrantes, estando os restantes distribuídos de forma homogénea por todo o país, com exceção das Regiões Autónomas, onde se encontra a minoria. Os cidadãos brasileiros representam mais de um quarto dos estrangeiros em Portugal e, por isso, estão em primeiro lugar no ranking das nacionalidades mais representativas, com 109.787 imigrantes. Os cabo-verdianos seguem em segundo lugar, com 38.895 cidadãos. Os imigrantes dos países supramencionados têm uma relativa proximidade linguística escolhendo Portugal como país de residência como forma de aumentar os seus rendimentos económicos e/ou instrução. Relativamente a Cabo Verde, é de salientar os imigrantes para o apoio médico-cirúrgico através de programas do IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento). Ocupavam, em 2011, maioritariamente os setores secundário e terciário, encaixavam-se na faixa etária produtivamente ativa com uma idade média entre os 30 e 34 anos, o que atenua a pirâmide etária envelhecida do nosso país. Não é possível deixar de referir a imigração ilegal existente no país, visto que Portugal é encarado como uma porta de entrada para a Europa. Não existem estimativas precisas sobre esta atividade no entanto é considerado um número relevante pelas entidades oficiais.”

 

 

Artigo Completo em: http://www.ics.lisboa.ucp.pt/resources/Documentos/Licenciaturas/Lic_Enfermagem/Premio_Ciencia_e_Saude/Ensaios_2013/Equipa_22_Portugal_Mosaico_de_Culturas.pdf

Ref#25 PÚBLICO O espectador no centro do palco de Jacques Rancière

Este artigo do jornal PÚBLICO analisa O Espectador Emancipado de Jacques Rancière, analisa sem condescendências a nossa relação com a arte e os sentidos que ela produz. Cinco ensaios em que o filósofo francês lembra que a responsabilidade de tornar essa aventura produtiva é do espectador”

 

Artigo Completo em: https://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-espectador-no-centro-do-palco-de-jacques-ranciere-269272

Ref#24 Why Did the ‘Twitter Revolutions’ Fail?

“Num texto muito interessante publicado no New York Times, Ivan Krastev, presidente do Centro para Estratégias Liberais de Sófia, na Bulgária, faz algumas considerações importantes sobre as razões pelas quais esses movimentos espontâneos acabaram por não realizar na prática as mudanças que levaram milhões de pessoas às ruas – não apenas nos países árabes, mas também em Turquia e Ucrânia, por exemplo.”

 

Texto Completo em: http://www.nytimes.com/2015/11/12/opinion/why-did-the-twitter-revolutions-fail.html?ref=opinion&_r=1

Ref#23 Observatorio das desigualdades ISCTE

Velhas e novas desigualdades no mercado de trabalho: Portugal no contexto europeu é um artigo do Observatório das desigualdades do ISCTE por Luísa Oliveira e Helena Carvalho que tem como mote “O mercado de trabalho é o lugar onde se condensam (e reproduzem) múltiplas desigualdades sociais, tanto para os que lá permanecem como, sobretudo, para os que dele são excluídos. “.

Artigo completo em: http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=projects&id=97

Ref#22 Prémio Jovens pela Igualdade

Portugal encontra-se neste momento na posição 34 do ranking mundial da igualdade de género e cada vez mais organizações juvenis investem na interação das políticas de igualdade nas camadas mais jovens.

Um exemplo é o Prémio Jovens pela Igualdade “que é uma iniciativa bienal no âmbito do V Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e Não-discriminação iniciado em 2012.

(…)

O concurso destina-se a Associações de Jovens (exceto Associações de Estudantes) e grupos informais de jovens inscritos no Registo Nacional do Associativismo Jovem (RNAJ), com boas práticas na integração da dimensão da Igualdade de Género, Cidadania e Não Discriminação, quer na sua organização ou funcionamento, quer nas atividades por si desenvolvidas.

São objetivos do Prémio:

  • Promover a sensibilização dos membros das organizações de juventudes e estruturas de jovens, com vista à integração da dimensão de género no seu funcionamento e nas suas iniciativas.
  • Encarar o associativismo juvenil, como fator de desenvolvimento pessoal que assume um papel fundamental como escola de cidadania e participação democrática, igualitária e respeitadora dos direitos humanos.
  • Promover o debate entre as e os jovens sobre as questões da igualdade de género e da cidadania, que questione a divisão tradicional dos papéis femininos e masculinos, alerte para os direitos e responsabilidades que incumbem às cidadãs e aos cidadãos tanto na esfera pública, como na privada, evidenciando a mais-valia da participação a nível pessoal e social.
  • Estimular a participação equilibrada de raparigas e rapazes em todos os tipos de atividades, com particular no envolvimento na tomada de decisão.
  • Promover a representação equilibrada de raparigas e rapazes nos órgãos diretivos e no sistema de representação de associações de qualquer natureza, bem como em comissões ou quaisquer estruturas.”

Em 2012 o 1º lugar, Associação Juvenil de Deão (Viana do Castelo); 2º lugar, LIFESHAKER (Monte da Caparica); 3º. lugar, FAJUDIS – Federação das Associações Juvenis do Distrito de Santarém.

Já em 2014 o grande vencedor foi atribuído à Associação «Sê Mais Sê Melhor – Associação para a Promoção do Potencial Humano».

Ref#21 Ex aequo nº25 Políticas de Igualdade

“Para este dossier temático foram solicitados contributos sobre as Políticas de Igualdade em Portugal e o resultado apresenta-se neste número da ex æquo. Dentre os propostos, foram selecionados textos que se debruçam sobre agendas, instrumentos e protagonistas das políticas de igualdade no nosso país e que, cada um por si e no seu conjunto, contêm sistematizações oportunas e análises heurísticas de algumas políticas sectoriais. Oportunas porque permitem fazer o ponto da situação, num momento em que claramente se observa uma dinâmica de descontinuidade relativamente à década passada e, diríamos mesmo, em que estamos perante uma dinâmica de refluxo nas políticas de ‘igualdade de género’.”

Publicação completa disponível em: http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0874-556020120001&lng=pt&nrm=iso